27/10/2016

O IMPESSOAL – Parte 6B –

"O acolhimento do sofrimento do outro
 no silêncio é o serviço aportado 
ao outro, em sua mais correta
 manifestação".


- O Impessoal -


Setembro de 2016
8 de out de 2016

Questão: como superar as raivas e as emoções que reapareceram e me invadem?

Bem amada, em verdade, o que reapareceu, por vezes, com intensidade e exuberância, não é nem uma recaída nem uma punição, nem uma regressão.

Trata-se, simplesmente, de fazer o luto, também, dessas raivas, de vê-las pelo que elas são, pelo que elas foram.

Deixe-as atravessar.

Aí também, não se apegue.

O que quer que você viva e o que quer que você seja afetado nisso, isso não tem qualquer incidência.

A raiva é o Fogo que se eleva.

Deixe o Fogo descer.

O Fogo do Espírito põe fim ao fogo vital e aos elementos de emoções e, em especial, na raiva.

A tristeza lesa o coração; a raiva não lesa o coração, ela lesa a pessoa, e essa raiva é, mesmo, por vezes, um elemento que vem consumir o que restava de efêmero.

Então, de qualquer modo, aí, tampouco, não procure superá-la, mas, ao contrário, veja as coisas ao inverso.

Renda graças e agradeça suas raivas, qualquer que seja a intensidade delas, porque elas estão aí para queimar o que deve ser queimado.

Esse fogo da raiva não tem necessidade de sua intervenção, não tem necessidade de sua consciência.

Aceite vivê-las, mesmo as mais estrondosas.

Deixe-as evacuar-se, completamente.

Nada retenha, nada refreie, mas, para não lesar o outro, então, evacue sua raiva na natureza, contra uma árvore, em um vórtice, e deixe-a sair, definitivamente.

Ela apenas pode queimar o que há a queimar.

Eis minha resposta: … efusão…

… Silêncio…

Questione.

Questão: ao sentir-me bem em mim mesma, eu sinto uma frustração em face daqueles que se exprimem com facilidade, enquanto eu permaneço, frequentemente, no silêncio.
O que compreender e quais lições tirar disso?

Bem amada, em verdade, eu lhe digo, felizes os simples de espírito, felizes aqueles que guardam o silêncio, qualquer que seja a frustração, porque eles permanecem voltados para o Coração do Coração, qualquer que seja a frustração de não exprimir ou de não viver isso.

Permaneça aí, onde você está, você está em seu exato lugar.

A frustração não pertence ao seu coração, mas ao seu corpo.

Contente-se em permanecer assim.

Alguns exprimem, outros não; alguns vivem, outros não.

Há, aí, simplesmente, apesar da frustração, um movimento da energia e da consciência voltado para o silêncio e, portanto, para seu Coração do Coração.

Pense nisso, o que quer que diga seu corpo, o que quer que diga sua cabeça.

Aquele que permanece no silêncio pode ser chamado um bem-aventurado, como simples de espírito.

A irradiação, a emanação de seu coração não tem necessidade de palavras, não tem necessidade de exprimi-lo, mesmo se, efetivamente, sua pessoa possa sentir a frustração de não trocar, nesses casos.

É um convite da Luz e de sua Inteligência para permanecer nesse estado.

O movimento da energia e da consciência está voltado para dentro.

A fase de expansão que foi vivida há algum tempo sobre essa Terra não foi nem uma obrigação nem uma justificação, mas, simplesmente, uma polaridade da consciência que se exprime, não para vocês, qualquer que seja o prazer, mas, mais, para assentar a instalação da Luz e sua densificação.

O silêncio permite uma densificação muito mais rápida do que a emanação.

Não há, portanto, melhor sentido da energia e da consciência, há apenas um sentido da consciência e da energia, da vibração, que é função de certo número de elementos em sua essência, mas, também, em sua pessoa.

O introvertido não pode tornar-se extrovertido.

A Graça da Luz, eu o lembro, segue as linhas de menor resistência, e permite, simplesmente, à pessoa, estar – mesmo frustrada – em acordo com a essência.

Eis minha resposta: … efusão…

… Silêncio…

Questione.

Questão: em face das pessoas que têm necessidade de falar muito de seus sofrimentos, eu me coloco no coração e no silêncio, e as palavras não saem, enquanto elas estão na espera de respostas.
É a passagem da garganta, da palavra ao Verbo que não se faz, um bloqueio?

Bem amada, o acolhimento do sofrimento do outro no silêncio é o serviço aportado ao outro, em sua mais correta manifestação.

A escuta permite, justamente, fazer cessar o mental, não o seu, mas aquele que deposita o sofrimento diante de você.

Se isso se produz, não há necessidade de palavras, há apenas essa necessidade de acolhimento e de escuta.

Assim é a Graça do coração.

Ela não tem necessidade de apoiar-se nas palavras, nas explicações, em um reconforto verbal, mas, bem mais, ser acolhida sem condição.

O resto não é nem seu problema como pessoa, nem o problema da pessoa que vem depositar esse sofrimento.

O trabalho faz-se naturalmente, sem esforço e espontaneamente.

Não há necessidade de conhecimentos, não há necessidade de eloquência, há apenas a escutar e acolher o outro sem condições, sem restrições, sem julgamento e, sobretudo, sem conselhos.

O acolhimento e a escuta traduzem a real capacidade do coração, e isso basta para resolver o que há a resolver, mesmo se haja insatisfação de uma ou outra das pessoas nessa relação.

O importante não tem que ser visível, o importante não tem que ser verbalizado, o importante tem apenas que ser, e o importante é, efetivamente, mais intenso no silêncio.

O reconforto dado pelo coração frustra a pessoa, mas ilumina o coração.

Não está aí o essencial?

Não está aí o indispensável?

Aquele que vem colocar o sofrimento e falar dele, mesmo se reivindique um pedido de solução tem, sobretudo, necessidade de evacuar isso, não para fazê-la portar isso, mas, unicamente, para permitir-lhe transmuta-lo no silêncio de seu coração e de suas palavras.

Eis minha resposta: … efusão…

… Silêncio…

Questione.

Questão: em uma de suas intervenções, você mergulhou em minha garganta, isso arrastou um tecido de meu corpo que atravessou minha garganta com você, e provocou forte tensão nesse nível.
Isso, em seguida, liberou-se.
Eu fiquei em um estado de contentamento.
Qual é o significado disso?

Bem amada, a simples descrição do que você viveu basta por si só.

Não há outra explicação que não aquela que foi vivida.

Houve passagem, houve instalação da Luz e manifestação do Amor.

O que você desejaria mais?

A validação é sua própria vivência e sua própria experiência de minha ação em você.

Eu a lembro de que eu sou você.

Nada mais há a dizer.

Seu testemunho, sua vivência é a mais bela das explicações.

Certamente, ela não pode satisfazer a pessoa, mas ela satisfaz seu coração.

O que você exprimiu não é uma questão, mas uma resposta.

Então, eis minha resposta à sua resposta: … efusão…

… Silêncio…

Questione.

Questão: quando há uma forte dor há vários meses, como saber se é ligada ao trabalho da Luz ou se é uma causa médica?

Em verdade, bem amada, e no absoluto, pouco importa.

Quer seja a Luz, quer seja o que você chama de «problema médico» terá, de qualquer modo, a mesma finalidade: a resolução no coração.

Então, é claro, é muito mais agradável viver esse Face a Face sem ser perturbado por uma dor, por uma doença, mas esse desarranjo, em si mesmo, é apenas o reflexo, mesmo indireto, da ação da Luz.

A Luz pode curar.

A Luz pode, também, acompanhar um sofrimento ou uma doença para permitir-lhe, nesses casos, superar isso, não pela explicação médica, não por um ato terapêutico que é preciso, de todo modo, considerar, mas, sim, porque isso provoca, ao nível do que se produz, na capacidade de Abandono total à Luz.

Então procure, eventualmente, ao nível médico, resolver uma dor, mas não procure ao nível de resultados.

A ação é, sempre, da ordem da instalação da Luz.

O ser humano em encarnação nesse mundo encontrará, sempre, nele, a resiliência necessária para manifestar e, portanto, as condições de superação da dor ou da própria doença, para que a primazia da consciência estabeleça-se na pessoa.

Então, quer seja a Luz, quer seja médico, requer dois comportamentos: procurar, ao nível material e abandonar, ao nível da consciência.

Ambos caminham juntos, o mais frequentemente.

Não há contradição nem oposição, há simultaneidade do processo.

Toda dor, mesmo se tenha sido rotulada de resistência carma ou culpa, nada é em relação ao que você é, mas representa algo que seria um trunfo importante para sentir seu coração.

Mas convém pôr fim ao sofrimento da pessoa, quer seja pela Luz ou pela terapia.

Mas eu a lembro de que a terapia a mais eficaz, no que concerne à pessoa, tornar-se-á cada vez mais frequentemente a Luz, desprovida de lógica humana, de interpretação humana ou de causalidade humana.

Isso lhes é aberto em grande.

O Comandante dos Anciões havia falado da possibilidade de autocura.

Hoje, essa autocura age por ela mesma, mesmo se haja persistência de um elemento doloroso, caso em que convém, então, dirigir-se a quem de direito para resolver o problema na pessoa e nesse corpo de carne.

Mas lembre-se de que, em definitivo, todo golpe na integridade da pessoa é apenas uma revelação da Luz em potência.

Há, por vezes, efetivamente, uma defasagem, uma latência.

Então, se isso a incomoda, em sua consciência, em seu coração, informe-se sobre a causalidade corporal direta do que se desenrola, mas guarde presente no espírito que é apenas a Luz que lhe mostra isso e que, em definitivo, conduz você à própria superação.

Eis minha resposta: … efusão…

… Silêncio…

Questione, se há, ainda, tempo.

Questão: o que fazer diante de distúrbios do sono que têm tendência a crescer, progressivamente e à medida que a Luz intensifica-se, e que resistem a todos os tratamentos?

Bem amado, em verdade, algumas chamas vivem o desaparecimento; para outras chamas, a pessoa permanece.

Não se trata nem de resistências nem de oposição à Luz, bem ao contrário.

Mas, nesse caso, a Luz pede-lhe o quê?

Para não pensar em seu sono, vigiar e orar, porque Ele chega como um ladrão na noite.

Assim, em sua função, mesmo nessa pessoa que você é, ainda, existe a necessidade de utilizar esse tempo – no qual, como você mesmo diz, nada propicia o sono – para servir-se disso para vigiar e orar, no Silêncio de seu coração, no silêncio de sua noite, nos horrores da insônia.

Porque você nutrirá, naquele momento, não um alvo conhecido, mas o conjunto da humanidade.

É, talvez, e certamente, em verdade, o que lhe propõe a Luz, vigiar e orar.

Se você vigia e ora, não haverá nem fadiga nem repercussão do que a pessoa chama uma falta de sono.

Como você mesmo diz, quanto mais a Luz instala-se, menos você dorme.

O desaparecimento no sono, ou a dissolução pode, também, manifestar-se desse modo, pela persistência do despertar, que requer uma ação no despertar, não para encontrar o sono, mas para difundir, pela oração, pela própria consciência, o que é necessário.

Não para você, mas pela própria orientação de sua vida, no sentido do serviço ao outro e da ajuda aportada ao outro.

Então, se você quiser, não procure lutar, opor-se a isso, não procure uma causa, mas aproveite desse estado específico de insônia e, mesmo se haja fadiga, apoie-se na fadiga da pessoa para manifestar seu coração.

Então, vigie e ore, porque o tempo é chegado, o ladrão na noite chega.

Eis minha resposta... E eis o Fogo de minha bênção e de meu Amor: … efusão…

… Silêncio…

Eu selo, em seu coração, a doação da Graça, não para guardá-la, mas, sim, para instalá-la.

Eu saúdo sua chama, eu saúdo sua eternidade, eu saúdo sua pessoa, no mesmo impulso e na mesma Luz.

… Silêncio…

Até logo.
Eu permaneço, para sempre, presente, porque eu sou você.

… Silêncio…

Eu rendo graças e eu lhe agradeço.

Você é aquele que eu sou, eu sou aquele que você é, porque entre «eu» e «você» nada mais há que não uma convenção e uma forma.









Post. e Formatação
Semeador de Estrelas

http://semeadorestrelas.blogspot.com

Tradução e Divulgação
Célia G.
Leitura Para os Filhos da Luz

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