07/10/2015

BIDI - Perguntas/Respostas - (4)

Satsang Setembro de 2015

"As reações são as consequências da vida
 desse corpo, mas não do que você é".

"A Eternidade está em você, mas não no que aparece nesse mundo".

Bem, Bidi está com vocês.

Continuação.



Questão: ao escutar sua resposta sobre a origem de nossos pensamentos, apesar da presença de sua voz, eu nada retive.

Meus pensamentos desfilavam na tela de minha consciência, sem que eu ali portasse atenção.
Eu estava aí, sem estar aí.
A um dado momento, eu me reencontrei no espaço, a olhar as estrelas.
Você pode esclarecer-me sobre o que aconteceu e dar-me um conselho?

O que aconteceu é, simplesmente: além das palavras, você se juntou à sua eternidade.

Ao juntar-se à sua eternidade, qual importância pode recobrir esses pensamentos?

Por que você quer prender-se a uma explicação?

Ela lhe foi dada, ela foi perdida pelo fato de encontrar a Eternidade.

Por que você quer voltar à questão?

Volte aí, de onde você vem.

Não é questão de falar de meditação, que, no entanto, acalma os pensamentos, é claro, mas é questão de algo de bem mais vasto, que é o que você é e não o que você pensa.

Seus pensamentos não são seus pensamentos, eu expliquei isso ontem.

Você não se lembra mais disso, isso prova que você compreendeu e superou a coisa, não volte mais para isso.

Onde você põe sua atenção, onde você põe sua consciência cristaliza-se, então, o mesmo mecanismo.

Descristalize-se.

… Silêncio…

Seguinte.

Questão: você tem um conselho para aquele que pode, por vezes, estar na reação, quando a vida aporta elementos que acionam as alavancas reativas da pessoa que resta?

A reação, mesmo ajustada e adaptada, é apenas o resultado da dualidade.

No Si não há qualquer reação, há, eventualmente, pró-ação, mas, em caso algum, reação, que pertence, irremediavelmente, à dualidade e ao efêmero.

Se você apreende a essência de minhas palavras, então, isso é superado.

A resposta não está na causalidade; a reação faz apenas traduzir os hábitos desse corpo e dessa consciência limitada.

A partir do instante em que você se descobre liberado, a partir do instante em que você descobre o que você é, a reação não tem mais lugar de ser, em qualquer circunstância que seja.

Há, realmente, pró-ação e pró-atividade.

O Si estabelecido não deixa lugar para qualquer aderência, para qualquer perturbação e para qualquer reação.

Será, sempre, a pessoa que reage, o Si não reage, jamais, ele «É».

Então, seja o que você É, de toda Eternidade, e as reações cessarão.

Por vezes, também, as reações são mecanismos automáticos que vêm do aprendizado desse mundo, dessa ilusão.

Ao permanecer presente a si mesmo, sem decisão, sem vigilância, completamente aberto, então, toda reação cessará.

Mas lembre-se de que, aí também, você não será, jamais, suas reações.

As reações são as consequências da vida desse corpo, mas não do que você é.

… Silêncio…

Seguinte.

Questão: segundo sua citação «Ame e faça o que lhe agrada» e nos exemplos seguintes: relação com a natureza, vegetais, animais, povos elementais, jardinagem, pintura, ajuda espontânea no ambiente, isso não nos mantém nos domínios do corpo de desejo ou da alma?

O objetivo de tudo isso é liberar o que você é.

Não se esqueça de que as circunstâncias da natureza, as circunstâncias de suas ocupações são bem diferentes do que teriam podido ser no passado.

Hoje há um reencontro, e esse reencontro não tem a ver com você.

Viva as suas relações, sua jardinagem ou tudo o que você disse, de maneira livre.

Se você não está apegado a isso, você não arrisca estar apegado, no momento vindo.

Faça isso em toda liberdade, nada mais procure que não a noção de relação, porque essa relação aporta-lhe a liberdade ou, no mínimo, mostra-lhe o caminho, ilusório, certamente, mas para sua liberdade.

Faça o que a vida pede a você, ao nível de suas responsabilidades, ao nível de seus impulsos, quer eles venham do ego ou da Luz, sem apegar-se a qualquer resultado que seja, sem ali ver o que quer que seja mais que não a possibilidade de reencontrar a Eternidade através disso.

Mas, é claro, se você se apega, por si mesmo, aos seres da natureza, efetivamente, você não estará livre.

A mesma relação pode ser vivida de dois pontos de vista; o essencial é, portanto, o ponto de vista e o posicionamento de sua consciência, ao invés do que se desenrola.

Você é a Verdade, quer você faça bolos ou plante ervilhas, fale com um ser da natureza.

Não procure um acordo em relação ao que é eterno, mas, bem mais, a revelação da Eternidade.

Isso é uma distração, uma ocupação que visa simplificar o efêmero, fluidificá-lo e, também, liberá-lo, dissolvê-lo.

Nada é preciso rejeitar, porque é a única realidade tangível, mesmo se ela seja ilusória.

Execute suas tarefas, aquelas que lhe propõe a vida e aquelas que incumbem à sua posição nesse mundo, mas não seja enganado.

Você se afastará ainda mais de si, do que você é, em verdade, ao retirar-se dessas atividades que são, como você disse, espontâneas.

Viva-as como uma necessidade de sua consciência e de seu corpo, mas não seja identificado ali.

… Silêncio…

Seguinte.

Questão: dissolver a vontade, estar aqui e agora, estar na Graça, não mais estar inscrito em uma história, permanecer na paz e no silêncio, eu tenho a impressão de que essas frases restam, por vezes, ideais mentais e não da vivência.
Como passar do bla-bla mental à vivência real?

Mas basta sair da cabeça e vivê-lo.

Se você o vive, realmente, não há qualquer ideal que possa permanecer.

Perceba que há, nesse nível, uma vontade de escapar, aliás, você fala de vontade.

Ora, isso não é uma questão de vontade nem de força nem de perseverança, mas, justamente, o inverso, de relaxamento.

Contudo, você não pode fugir ou desviar-se do que se desenrola em sua vida, mesmo nesse efêmero.

Você apareceu, você desaparecerá, é a única coisa da qual você tem certeza.

Não se preocupe com o dia de seu desaparecimento, mas suba à fonte de sua consciência e veja-se agir.

Assim que haja esforço, você não pode ser o que você é.

Não é uma questão de preguiça, mas, verdadeiramente, como eu o nomeei, de relaxamento.

Quaisquer que sejam os atributos que você possa ali colocar no plano psicológico, isso não é nem da vontade nem da determinação nem um ideal, mas a realidade do instante.

Se você vive essa realidade do instante, o que quer que vivam esse corpo e essa consciência limitada, você não é mais, efetivamente, identificado a isso.

Portanto, não há que lutar contra, não há que recusar, há, simplesmente, que não ser enganado pelo que se desenrola.

Enquanto a consciência é projetada, quer seja através do mental, através de um ideal, através de um futuro ou através de uma memória, você não é livre, você não reconhece sua liberdade.

A Liberdade pertence ao desconhecido, você não pode apoiar-se em qualquer conhecido.

Deixe o conhecido viver-se e penetre em seu desconhecido, que é a única verdade eterna.

Faça o que lhe incumbe, mas não o nutra por qualquer atenção, por qualquer desejo de fuga ou de realização do que quer que seja.

E, aí, você reencontrará o que você É na Eternidade, e a verdadeira Liberdade, que nada tem a ver com a liberdade desse corpo ou dessa consciência limitada.

Porque essa liberdade desaparecerá, ela também, no instante de sua morte.

Você nada mais terá no que apoiar-se para fazer durar a ilusão.

… Silêncio…

Seguinte.

Questão: você disse «eu venho entre vocês para elucidar, ainda, o que possa existir, em vocês, de interrogações, de não vivência concernente ao Si e ao Parabrahman».
Eu não vivo o Si nem o Parabrahman nem a Infinita Presença.
Tudo isso não é simples para mim, eu não sei, mesmo, como colocar-lhe minha questão.

Qual é a questão?

É uma constatação.

O fato de dizer, já, que não é simples, afasta-o da verdade.

Porque o que questiona, no caso, aqui, é a pessoa.

Enquanto você crê ser uma pessoa você não pode ser outra coisa.

A Eternidade está em você, mas não no que aparece nesse mundo.

Você deve liberar-se de tudo o que lhe é conhecido, isso requer ver, em si, o medo do desconhecido.

Aí está a problemática.

O que você constata é a verdade do efêmero, mas nada tem a ver com sua eternidade.

Através de sua reflexão e de sua constatação, ou de sua questão, uma vez que você a concebeu assim, é-lhe mostrado que a pessoa ainda está aí e que ela quer controlar, compreender, apreender-se, apropriar-se, o inverso do que deve ser vivido e feito.

Enquanto há identificação total à sua vida, às suas experiências ou às suas ausências de experiências, você não poderá, jamais, ser livre e, no entanto, você é um ser livre.

Não é a pessoa que é liberada, mas você é liberado da pessoa.

Apreenda isso, é a única chave.

Você não se liberará, jamais, como cada um, da pessoa, mas, bem mais, a capacidade para aceitar, integralmente, o desconhecido.

uma reversão a fazer ou a ser, na consciência.

Enquanto você crê ser essa forma, enquanto crê ser essa história, você o será, e nada mais.

E isso, efetivamente, girará em círculos, porque ali apenas pode haver esse movimento, e girar em círculo não é a liberdade.

Portanto, não é preciso apreender conceitos, não se coloque, mesmo, mais, a questão do Parabrahman ou do Absoluto, mas descubra a fonte de sua consciência em você.

Enquanto você quiser puxar para sua pessoa o que não depende da pessoa, você continuará uma pessoa.

Você está pronto para sacrificar-se como pessoa para reencontrar o sagrado que você é?

Nada há a procurar, no entanto, nada há a explicar, nesse caso.

É um déficit, não de vibrações ou de percepções, mas um déficit da própria consciência, que o limita e trava você.

… Silêncio…

Questão: o fogo do Satsang tem um papel na consciência e, se sim, qual?

Continua Bidi (5)










Post. e Formatação

http://semeadorestrelas.blogspot.com


Tradução e Divulgação
Célia G.

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