23/06/2016

BIDI - O ABSOLUTO - Parte 1

"Nenhuma perenidade da memória
 pode ser eterna".

"O Eterno não se importa com a memória.


BIDI

Perguntas e Respostas 


AutresDimensions

E bem, BIDI está com vocês e os saúda, e nós iremos prosseguir, se vocês bem o quiserem, nossos diálogos e conversas.

Eu escuto então as suas perguntas.

Pergunta: quando nós assumimos responsabilidades espirituais e materiais, devemos nos permitir viver os últimos impulsos da vida sensual deste mundo de carbono (com risco de esquecer ao que nós nos consagramos ao longo de toda nossa vida), ou essas últimas provas estão bem aí para nos permitir vê-las, para melhor superá-las? 


A sua pergunta é múltipla. 


Considerar que há o que quer que seja para recordar com relação à sua vida recorre, então, a um processo de memória ou de lembrança. 

Nem a memória, nem qualquer lembrança, refere-se ao que você É.

O que apareceu um dia, e o que irá desaparecer um dia (e que você denomina a pessoa, a vida) estão inscritos, necessariamente, em meio a um efêmero.

Por outro lado, o que você nomeia “prova”, o que você nomeia “responsabilidade” apenas se refere, justamente, a este efêmero e absolutamente a nada mais.

Somente a personalidade situa-se entre um início e um fim, correspondendo ao aparecimento e ao desaparecimento da vida, em meio à consciência.

O conceito de prova, o conceito de responsabilidade, apenas concerne a este saco de comida e a este saco mental e, em caso algum, ao que você É.

Reagir ou não reagir irá sempre se referir ao desenrolar do efêmero.

Eu o convido, então, a considerar que o conjunto das proposições apenas se refere ao que é efêmero e, portanto, apenas se refere à pessoa, em meio a uma crença em uma evolução, uma crença em provas, uma crença na perenidade da memória ou de uma lembrança.

Você nada É de tudo isso.

Dessa maneira, não se coloque a questão de agir ou de não agir, mas sim de ver agir ou não agir, porque você não foi referido pelo agir ou não agir.

Enquanto houver implicação, através de um efêmero, não pode ali ter Absoluto. 


Pergunta: você especificou que a perenidade da memória não tinha razão de ser. Mas, através das suas intervenções, você utiliza a sua memória?

Absolutamente não.

Porque você considera que existe um tempo linear e que o que se expressa é a consequência de uma ou das encarnações que esta consciência tomou.

Por outro lado, não é nenhuma questão de qualquer perenidade, de qualquer memória.

Considerar a perenidade da memória, o mantém, de uma maneira ou de outra (deste lado do Véu como do outro lado do Véu), na Ilusão de uma eternidade.

Nenhuma perenidade da memória pode ser eterna.

O Eterno não se importa com a memória.

O que se expressa, hoje, transcende o que vocês chamam de barreiras do tempo.

O que se expressa, neste instante, não é a sequência lógica do que eu exprimia, a um dado momento, mas se inscreve no mesmo tempo, além do seu tempo.

É muito difícil conceber, para o intelecto, que o que é dito, hoje, não é uma continuidade ou uma perpetuação, mas sim a mesma expressão, a mesma qualidade, independente da minha vida passada, independente de todo tempo.

O que é expresso (e esse foi o caso quando, segundo os seus dados temporais, eu estive encarnado) nada tem a ver, justamente, com a minha memória, ou com qualquer encarnação.

Porque o que eu exprimo não é uma continuidade, mas se inscreve no mesmo tempo, além do nosso tempo e do tempo de vocês.

Qualquer memória está em ressonância com a lei de ação / reação.

Nenhuma memória pode existir quando não há mais ação e reação, mas Estado de Ser, ou ainda Absoluto.

Experimentar e se estabelecer na Infinita Presença, no Estado de Ser, ou no Absoluto, põe fim a toda memória.

Em meio à consciência, a memória pertence ao efêmero.

A consciência apoia-se na memória, apoia-se na antecipação, mas memória e antecipação sempre irão pertencer à ação / reação, à dualidade e, portanto, ao efêmero.

Você não pode se apoiar em qualquer memória, em qualquer antecedente, assim como em qualquer projeção, para ser o que você É.

Isso muda o ponto de vista, muda o olhar e coloca você, de maneira irremediável, no que você É, e não no que você acredita, e não enquanto resultado de uma memória, ou antecipação de uma projeção.

O mais difícil, para a pessoa, como para a consciência, é, justamente, parar de acreditar.

Nenhuma consciência pode conduzir à a-consciência.

Nenhuma memória pode conduzir ao Estado de Ser, à Unidade, assim como à Infinita Presença ou ao Absoluto.

Enquanto a memória existir, enquanto houver uma relação com um passado, com uma história, você se inscreve, em meio à consciência, nesta memória e nesta história, e você não está, portanto, Livre.

O que permanece quando este saco desaparece?

O que se torna a memória (quer vocês acreditem ou não em alguma reencarnação)?

O que permanece do que você era anteriormente (quer este anteriormente seja ontem, um século ou mil anos)?
Libertar-se da memória, esquecer a memória, é estar disponível para o presente.

Se houver memória, há indisponibilidade para o presente.

Pergunta: a passagem nesta Dimensão de dualidade encarnada de nada vai servir, então?

De nada serviu, de nada irá servir e
 jamais de nada irá servir.

Este saco aparece um dia, ele desaparece no outro dia.

A consciência vai acreditar que ela é uma sequência de experiências, delimitadas em um tempo denominado “encarnação”, mas o que permanece de uma encarnação para outra?

Nada.


O que você É jamais se moveu, jamais existiu, sempre Esteve aí e sempre Estará aí.

Somente o olhar da pessoa e da consciência leva-os a considerar suposições que não se sustentam.

O que você exprime, através disso, é o que deseja a consciência: é uma forma de perpetuação, uma forma de infinito, uma forma de eternidade, que não pode existir.

A consciência sonha com uma eternidade.

A pessoa sonha com uma perenidade. 


Isso não pode ser.

O que você É não corresponde a qualquer dessas proposições.

Se o que você é, hoje, em meio a esta vida, servisse para você em uma pós-vida, por que isso iria desaparecer quando você aparecesse, de novo, sobre este mundo?

Qual é o valor do esquecimento, em relação à memória?

Explique-me isso.

Todos os mecanismos da vida, em meio a este mundo, passam pelos mecanismos que vocês denominam “aprendizagem”.

O que você É não tem necessidade de qualquer aprendizagem, de qualquer educação, de qualquer sociedade e de qualquer mundo.

Aceitar isso (além da crença) é já deslocar o ponto de vista, deslocar o olhar e se descobrir tal como você É.

Enquanto você mantiver (pela pessoa ou pela consciência) a ilusão de uma memória, de uma progressão, de uma evolução, de uma transformação, você próprio se inscreve no efêmero, no que você não É. 


Pergunta: qual é a diferença entre Absoluto e nada?

Para a pessoa e para a consciência, o Absoluto é o nada.

Para o Absoluto, o nada é uma estupidez da pessoa.

Nada mais.

Enquanto você não puder ser o que você É, porque existe uma distorção induzida pela pessoa, induzida pela consciência, então você se engana e você considera que o Absoluto é o nada.

O desaparecimento dos limites (resultantes do saco, de comida como mental) cria a suposição de uma identidade, de uma delimitação e de um espaço limitado.

O que você É, absolutamente não é isso.

Como o que é limitado (pelas ideias, pelos pensamentos, pelas concepções, pela própria forma da carne) pode pretender ser Absoluto?

Para ele, isso se chama o nada.

Só aquele que é Absoluto se dá conta, de algum modo, por ele mesmo, de que o nada é uma secreção do medo do saco.

Quando você dorme, será que o mundo está aí?

Quando você dorme, será que o “eu” está aí?

O Absoluto faz você ver que você é além de uma história, além de uma pessoa, além de qualquer saco e além de qualquer consciência.

Mas enquanto você não tiver vivenciado isso, este Absoluto é um absurdo, um nada.

Pergunta: qual é a diferença entre Unidade e Absoluto?

Na Unidade, a consciência está presente, ela própria se olha em um espelho peculiar, sem fundo, sem amálgama refletor: é um autoespelhamento.

A Unidade é uma contemplação, um estado da consciência com diferentes etapas (nomeadas “Samadhi”) correspondendo à consciência Turiya.

O Absoluto não é uma consciência: é o que você É.

A consciência existe no palco do teatro, na poltrona daquele que assiste, no próprio teatro. 


O Absoluto sabe que há um teatro, mas sabe também, perfeitamente, que ele nada é do que constitui o teatro: dualidade como unidade.

O Absoluto corresponde à a-consciência. 


A Unidade corresponde à consciência total
ou, se você preferir, a uma consciência absoluta.

O Absoluto em nada é referido pelos jogos da consciência.

Constatar a Unidade, viver a Unidade, é um estado da consciência.

Ser Absoluto é ser além de todo estado e, sobretudo, não uma consciência.
O Absoluto é vivido depois da Dissolução ou durante a Dissolução.

A Unidade é vivida enquanto Comunhão da consciência, do Si ao Si, ou de qualquer Si a outro Si.

A consciência é experiência.

O Absoluto não se refere a qualquer experiência, a qualquer contemplação.

A consciência não pode se apreender do Absoluto. 


É o Absoluto que contém a consciência.


É o Centro presente em qualquer centro.


A Unidade é ter consciência do conjunto das consciências, mas isso não é sair da consciência.


Pergunta: o Absoluto se move?

Ele permite todos os movimentos. 


Sem ele, não há movimentos. 


Sem ele, não há consciência.

O Absoluto é ao mesmo tempo anterior a qualquer movimento e é todos os movimentos, assim como a imobilidade.

Dar um qualificativo ao Absoluto irá se tornar, bem depressa, um disparate, é por isso que aquele que é Absoluto não pode, como eu disse isso, de forma alguma, traduzir em palavras o que é vivenciado.
O que é vivenciado não é uma experiência da consciência, mas, sim, é a cessação total de toda consciência que faz aparecer o que você É.

O que você É poderia ser nomeado “anterior à consciência” e, no entanto, nada disso é, porque isso é o que contém todas as possibilidades da consciência.

Pergunta: então é o Absoluto que vem a nós. Em nenhum caso nós podemos ir para ele? 


Como eu havia dito, enquanto vocês acreditarem buscar o Absoluto, vocês irão fracassar.

O Absoluto é o que ele É.

O que você É não pode ser procurado, nem encontrado, já que isso está aí.

Enquanto você procurar, é a pessoa que procura.

Enquanto você acreditar nisso, é a pessoa que acredita.

O que cria a dinâmica da procura é, ao mesmo tempo, a consciência e, ao mesmo tempo, o que é nomeado a separação.

O que exprime bem que a pessoa está separada: ela se viu assim, inscrita em um limite temporal nomeado o nascimento e a morte.

Ela cria, em meio a esta vida, histórias (espirituais, sociais, materiais, afetivas) de responsabilidade.

Será que este conceito de responsabilidade, será que este conceito de evolução, muda alguma coisa no desaparecimento do efêmero?

Quaisquer que sejam as crenças deste saco, quaisquer que sejam as experiências deste saco, ele irá terminar um dia.


O que resta então?

Eventualmente, você pode me responder: “a consciência”, se a sua própria consciência não estiver mais limitada e separada e dividida, mas ela tem acesso às suas próprias memórias.

Pergunta: por que o Absoluto funciona mal, ou seja, nos mergulha nesse sonho que não existe? 


Mas não é o Absoluto que funciona mal, é você.

Pergunta: ser Absoluto com forma, ele é programado com antecedência?

E ele seria programado segundo qual lei, qual escala, e qual calendário?
Isso é impossível.

O Absoluto é o que você Foi, o que você É, o que você Será, além de todo ser, de toda pessoa e de toda consciência.

A consciência não pode se programar para Ser Absoluto: isso é, justamente, uma desprogramação total da consciência.

Quanto à pessoa, para ela, isso é o nada.

Do ponto de vista da pessoa, o Absoluto não pode existir, não pode ser, e não pode aparecer.

Eu recordo que não há passagem da pessoa ao Absoluto, assim como da Consciência à a-consciência.

É a parada da procura em si, a parada de continuar um objetivo, a parada de toda crença, de toda suposição, que revela (pela refutação, pela investigação, pela maturidade) o Absoluto.

Pergunta: dizer “que a Liberação seja feita” pode ajudar-nos a sair desta ilusão? 


A partir do momento em que você pronuncia esta frase, você considera que você não está Liberado.

Você coloca, então, uma distância com o que você É.

Como, colocando, de imediato, uma distância com o que você É, você pode esperar encontrar o que você É? 


Você inscreve, através desta frase, o Absoluto, como um
objetivo, como uma procura, como uma falta.

Isso é um erro.


Pergunta: será que o Absoluto é o Amor e isso é tudo?


Quando você diz "o Absoluto é Amor"você define, portanto, o Absoluto.

Será que o Absoluto pode ser definido?

Acrescentar "isso é tudo"  quer dizer que você limita, e delimita, o Amor e o Absoluto.

O Absoluto, é claro, contém o Amor, ele é o reservatório do Amor, o conteúdo do Amor.

Mas você não pode dizer: “o Absoluto é isso ou aquilo”.

Porque você procura reconhecer, em uma definição, o que, para você, é o Amor, no seu ideal, na sua consciência, nas suas projeções, nos seus objetivos.

Tentar definir, assim, o Absoluto, afasta-o dele.

Não mais definir, não mais dar um qualificativo, não mais procurar uma razão, um sentido, uma explicação, uma lógica (a capitulação de todos os aspectos da pessoa e da consciência), faz você Realizar o que você É, de toda Eternidade.

Não há outra possibilidade.

Qualquer definição pertence à consciência.

O Absoluto não é a consciência.



Continue Parte 2 -









Post. e Formatação
Semeador de Estrelas
2/11/2012


Tradução para o português e
divulgação: Zulma Peixinho
http://portaldosanjos.ning.com
1 novembro 2012

Mensagem do Venerável BIDI no site francês:

http://www.autresdimensions.com/article.php?produit=1661
28 de outubro de 2012
(Publicado em 30 de outubro de 2012)

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