23/08/2011

A Morte do Ego

Marcos Keld
22 Agosto 2011

Quem vive pelo ego poderá ter seu nome imortalizado, mas apenas quem vive pelo espírito será de fato imortal.

 Não está na lógica a percepção de uma possível emancipação do pequeno eu. 
Emancipar-se é harmonizar-se.
Eis então o flagelo do pseudoconsciente, acreditar que é superior ao ego, que é superior a uma parte de si mesmo, perpetuando sua fragmentação.
Sendo o pequeno eu uma extensão do Eu Profundo, nele está abrigada a própria manifestação do não-manifestado.
Logo, sendo um canal para a expressão do divino, estar superior ao ego é estar, em termos diretos, não mais vivo.
Vê-se então a impossibilidade de matar o ego, pois sendo a própria tradução do não linear, sua inexistência anularia completamente a vida.
Veja que me refiro à mente como um todo, não aos seus condicionamentos.
Eis então a nossa proposta para que haja uma trindade harmônica na vida de cada ser humano:
O Eu Profundo, o mundo e o pequeno eu.
Quando há somente o primeiro, não pode haver vida física, a linguagem é incompatível, por isso necessita de um ponto de referência.
Quando esse ponto é neutro, dizemos que não existe intermediário, apenas tradutor.
Logo, a existência da mente é necessária; seu descontrole é que não.
Quando descontrolada, torna-se intermediária, torna-se uma voz ativa que teima em distorcer a tradução.
O mundo, segundo elemento, não precisa de porta-voz para comunicar-se com o espírito, precisa apenas de um tradutor que mantenha a verdade incorruptível. 
Não é para haver tradução livre, é para haver tradução literal, pois o mundo é literal, é concreto e é por isso que o espírito quer conhecê-lo, pois o Eu Profundo não é literal, mas abstrato, fugindo de qualquer padrão identificado pela mente.
Deste modo, quem insiste em querer dissipar o ego está vivendo uma fantasia. 
Sendo o ego uma característica da mente, tudo o que for do pensamento parte inevitavelmente do mesmo princípio: o pequeno eu.  
Portanto, a ação em si já uma característica “corrompida” pela mente, impedindo que haja a separação, tão aclamada pelo pseudoconsciente, entre seu Eu Profundo e o ego.
Matá-lo então é um pensamento tolo. 
O ego não pode ser morto.
Quando você diz que vai matar o ego, é o próprio falando. Quando você diz que se tornará superior ao ego, é o próprio falando. 
Quando você diz que vai lutar contra ele, é o próprio falando. 
Qualquer mentalização provém do ego.
O que está além é a vontade pura, sem pontes para a expressão.
É algo que não se descreve, não se fomenta e não se põe em movimento linear.
Portanto, matar o ego é impossível, ele sempre existirá, a não ser num estado da não-forma, no estado da divindade em si, do espírito, do total abstrato e subjetivo.
Enquanto houver antropomorfização do espírito, a mente persistirá.
O que se deve fazer é harmonizar a mente, o mundo e o Ser. 
 Esta trindade deve novamente ficar em equilíbrio, assim como ocorria na tenra infância em que o intelecto não estava presente, ou seja o intermediário, mas tão-somente o tradutor.
A maturidade espiritual consiste em trazer de volta o tradutor, porém agora preenchido de consciência de si e de seu papel na evolução da matéria e na experiência do Eu Profundo.
Pois aquele que mesclar a inocência de uma criança com a consciência de um adulto estará enfim liberto das amarras do mundo. 
Terá finalmente sublimado Maya.
             Marcos Keld  



Postado por: Marcos Keld em
Pontencialidade Pura

Transcrição e Formatação:
Semeador de Estrelas

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